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| Coluna do Buda |
| Washington Nunes fala sobre a Seleção, Liga 08 e as críticas a CBHb |
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| Escrito por Administrator | |||
| Sex, 05 de Junho de 2009 14:33 | |||
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Conversamos com ele sobre o ciclo Olímpico que está se encerrando, as perspectivas da chegada de um novo treinador estrangeiro para o comando da seleção e sobre as críticas que a Conferação vem recebendo abertamente devido a fraca atuação do time nas Olimpíadas.
HS: Como você avalia a campanha do São Caetano na Liga 2008 e a temporada em geral? WN: Com relação a participação do São Caetano na competição, avalio que nosso rendimento foi de mediano a bom. Começamos a temporada com muitas expectativas mas fomos perdendo jogadores ao longo da competição, alguns foram para a Itália e outros se machucaram, o que prejudicou muito o projeto inicial. Tecnicamente falando a Liga foi muito interessante, mas do ponto de vista do número de equipes foi bastante frustrante, nós gostaríamos de ter um número maior de equipes, mas de certa forma isto reflete bem a realidade do Handebol no Brasil com relação aos clubes. É melhor termos um número baixo de clubes com alta competitividade do que um número alto de clubes com baixa competitividade. Acredito que foi um bom campeonato e que as semifinais e finais foram emocionantes do ponto de vista técnico e tático HS: Que atitude você acredita que a confederação pode tomar para incentivar o aumento do número de equipes para as próximas temporadas? WN: Eu acho que a Confederação faz tudo que ela pode fazer, ao meu ver o problema não está voltado à Confederação. O país todo tem problemas graves em termos econômicos, é um país que não tem educação nem saúde, e nesta situação investir em esportes é algo quase utópico, principalmente se tratando de handebol. Os custos são altos para pagar jogadores, comissão técnica, logística e viagens, não é em qualquer lugar que se encontra condições de se fazer um investimento deste porte e não acredito que exista algo que a Confederação possa fazer a respeito da saúde financeira dos clubes, isso é algo que talvez tenha que partir de órgãos superiores. Hoje temos a bolsa atleta que já auxilia, mas ela beneficia apenas atletas que chegam a seleção brasileira, os atletas em formação passam dificuldades tremendas. A Confederação está fazendo a sua parte, o Campeonato Brasileiro Juvenil, por exemplo, teve 16 equipes, o que é um número bem razoável, a Liga Nacional é mais difícil por ser uma competição mais cara, portanto há dificuldades em fechar parcerias e vender o produto handebol, assim como é muito difícil vender qualquer esporte no Brasil. HS: Que conselho você daria para um jovem atleta que quer se profissionalizar mas tem dificuldades em encontrar um clube para jogar, e que tipo de projeto você desenvolveria para melhorar este quadro? WN: Se o atleta tem talento ele deve buscar centros possíveis de rendimento onde ele possa mostrar o seu valor. Hoje temos clubes menores que tem uma boa estrutura de base e outros clubes maiores que fazem ótimos trabalhos na base e no adulto, portanto os atletas devem procurar estes lugares. Não há muito o que falar, nada contra, mas não adianta um bom talento ficar escondido no interior do Ceará, onde ele não vai disputar nenhum tipo de campeonato, não vai ter estímulo de jogar em alto nível e ao mesmo tempo não vai receber treinamento e informação de vanguarda, assim ele vai acabar sendo um tesouro enterrado. O que eu faria caso houvessem recursos seriam pólos de treinamento por todo o país, tivemos uma experiência muito positiva com a Confederação, com a vinda de um treinador espanhol (Nota: Jordi Ribera, ex-técnico da seleção masculina) que foi uma pessoa brilhante e que contribuiu de uma maneira imensa para o handebol. Ele fez algumas experiências com acampamentos onde haviam cerca de 20 a 30 professores de todo o país e centenas de jovens atletas. O Jordi capacitava os treinadores que em seguida capacitavam estes jovens. A gente conseguiu então, pela primeira vez na história, uma linha de conduta de como se trabalharia o handebol brasileiro. Infelizmente o treinador não continuou no Brasil, e temos pela frente um eleição em Fevereiro, não sabemos ainda quem será o presidente da Confederação nem quais serão os projetos para o novo ciclo olímpico, mas este projeto foi uma experiência interessante e espero que, se mantendo a atual presidência ou com uma nova pessoa no cargo, que essa iniciativa tenha continuidade. HS: Como você analisa o último ciclo Olímpico em especial a participação do Brasil nas olimpíadas de Pequim? WN: Pensando no ciclo olímpico, achei que foi excelente, foi a primeira vez na história que o Brasil ganhou dois campeonatos Panamericanos (Nota: O Pan Rio 2007 e o Panamericano de Seleções em São Carlos - 2008), e ratificou sua condição de campeão Panamericano, conquistando a vaga no Mundial. Durante as olimpíadas sabíamos que as dificuldades seriam muito grandes, porém acreditávamos que a seleção teria um rendimento melhor, como fez na segunda metade da fase de classificação. Depois das primeiras derrotas, a equipe teve uma nova conversa e, a partir daí apresentou um jogo mais dinâmico. Contra a Polônia, por exemplo, perdemos por 2 gols no final da partida, e se não fosse a contusão do Zeba talvez o resultado seria diferente. Vencemos a China e em seguida jogamos uma boa partida contra a Espanha, perdendo por 1 gol apenas. Nos históricos de jogos contra a Espanha, costumávamos perder de 10, 12 gols. É lógico que fica a frustração por querer dar um passo adiante em termos de classificação, mas precisamos analisar como o time jogou e como vem tendo uma evolução clara. Mas infelizmente no Brasil, onde o segundo já é considerado o "último", imagine o que acontece quando você fica mais atrás na tabela. HS: Quais são as metas para este novo ciclo olímpico que inicia, por enquanto sob seu comando, e quais sãos as perspectivas para a chegada de um novo treinador estrangeiro? WN: Eu mudaria a sua pergunta, na verdade não estamos iniciando um novo ciclo olímpico e sim encerrando um ciclo olímpico. A partir das eleições para a presidência da Confederação, em Fevereiro, é que vai se iniciar os planos para o novo ciclo, o ciclo que culminou nas olimpíadas de Pequim só vai se encerrar mesmo após o término do mundial (Nota: Mundial da Croácia que acontece em Jan/2009). A idéia inicial para este Mundial era de levar uma base para as Olimpíadas, infelizmente tivemos muitos problemas na convocação de vários jogadores, alguns machucados e outros se recuperando de cirurgia. Agora vamos jogar duas vezes contra Cuba como parte do Desafio Petrobrás, e vamos ter jogadores que, de certa forma, serão a base para o Mundial, mas ainda temos 4 jogadores que jogam na Europa que estão defendendo seus clubes e estarão de volta em breve. Acho que será um desafio interessante, convocamos alguns atletas juniores para compor a equipe adulta e vamos fazer uma espécie de homenagem de despedida ao SB (Nota: 42 anos) e o Helinho (Nota: 36 anos) que foram jogadores e capitães da seleção por muito tempo. Esta mistura de experiência e juventude é bem interessante. O grupo que se apresenta em Janeiro é um grupo bastante novo, que acredito que formarão a base do novo ciclo olímpico. Com relação a um novo treinador estrangeiro, ainda não há nada certo, estamos esperando se concluir as eleições em Fevereiro, a Confederação já tem um plano traçado mas não vai revelar nada até que se decida a vaga na presidência da CBHb. Eu acredito que um novo técnico estrangeiro estará nos planos e se for alguém com o nível de comprometimento com o handebol nacional, como foi o Jordi, será ótimo. Agora se vier um técnico estrangeiro que fique apenas cuidando da seleção masculina adulta, a seleção pode ir bem, mas o resto do handebol do Brasil não se beneficiaria, e para um cargo assim acredito que temos muitos treinadores capacitados aqui mesmo no Brasil. HS: E o Brasil vai contar com o SB e o Helinho para o mundial então? WN: Não, nem mesmo para todo o Desafio Petrobrás, eles estão aqui para jogar apenas as primeiras duas partidas do desafio, e no intervalo do último jogo vai ser feita uma homenagem para eles e, a partir daí, eles deixam a seleção. HS: E qual é o objetivo do Brasil no Mundial da Croácia 2009, que resultados você espera do time? WN: Espero uma vitória contra Egito e Arábia Saudita, que são objetivos prováveis, mas não estou dizendo que são equipes fracas, são seleções que jogam de igual pra igual, e a perspectiva é de um 13o ou 14o lugar, tendo em vista o que o Brasil está em um grupo bastante complicado na competição. Por fim, acredito que faremos um bom trabalho. HS: Obrigado pela entrevista Washington, deixe um recado para o pessoal que acompanha a Handsport. WN: Desejo que as pessoas analisem a seleção de handebol passo-a-passo e não como brasileiros que têm o futebol como esporte principal e que isto seja referência de comparação para outros esportes. Vimos atletas do Brasil no atletismo, por exemplo, que fizeram final olímpica e muitas pessoas falaram mal dos caras por não terem conseguido uma medalha, mas esquecem que eles "atropelaram" muita gente para chegar até os 8 melhores do mundo, em um planeta com 6 bilhões de habitantes eles são os 8 ou 6 melhores, mesmo assim para o brasileiro isto não parece suficiente. Com o Handebol nos conseguimos os títulos do Panamericano e a vaga para o Mundial onde vamos fazer o melhor para evoluir ainda mais, no dia em que tivemos 20 times na primeira divisão e mais 20 na segunda, com estrutura econômica e atletas profissionais, aí sim poderemos cobrar e esperar por melhores resultados em comparação ao futebol.
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Washington Nunes está em Brasília com a seleção brasileira masculina, onde irá disputar o Desafio Petrobrás. Ele foi auxiliar técnico da seleção masculina durante as Olimpíadas de Pequim e, após a saída do técnico Jordi Ribera, assumiu o comando da seleção até o Mundial da Croácia que será disputado em Janeiro. 
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